Polêmicas ambientais e crise afastam financiamento de investidores privados

Folha de Sao Paolo
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São Paulo- Brazil, Mar 8 2009 | Amigos da Terra Amazonia Brasileira

Seis meses após o início das obras da hidrelétrica de Santo Antônio, os bancos Santander e Banif, que participam com 20% da Saesa, empresa que constrói a usina, ainda não conseguiram investidores para o empreendimento. É o que afirma Roberto Simões, presidente da Saesa.

Santander e Banif decidiram entrar como sócios por meio de um FIP (Fundo de Investimento Privado). O objetivo era vender as cotas do fundo e ficar no projeto como gestores. Os cotistas seriam os responsáveis pelos aportes de capital.

Os bancos privados estão relutantes em participar do FIP. O prazo de financiamento seria longo demais, os retornos do investimento, duvidosos (devido às previsões de queda no preço da energia no mercado livre), e os riscos socioambientais, elevados.

Além disso, organizações civis questionam a participação dessas instituições, principalmente as signatárias dos Princípios do Equador -práticas definidas pelo Banco Mundial que recomendam a não-concessão de financiamentos a projetos cujo impacto socioambiental não é devidamente calculado ou mitigado.

É o caso de Bradesco, Unibanco e Banco do Brasil, que, para Roland Widmer, gerente da Oscip Amigos da Terra, estão em desacordo com suas políticas de sustentabilidade ao participarem do projeto como repassadores de recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Consultados, os bancos afirmam que o protocolo dá flexibilidade para que se retirem em caso de problemas, inexistentes até o momento.

O MPF (Ministério Publico Federal) de Rondônia também está monitorando a participação dessas instituições e suspeita de irregularidades no Banco da Amazônia, que aprovou financiamento de R$ 503 milhões para a Saesa.

O banco estatal usou recursos do FNO (Fundo Constitucional do Norte) e o valor máximo permitido seria de R$ 159 milhões. O FNO é alimentado pela arrecadação de impostos. O diretor comercial do Banco da Amazônia, Gilvandro Negrão, afirmou à Folha que o limite seria de R$ 445 milhões para um período de três anos. Ainda assim, esse teto foi ultrapassado em R$ 58 milhões, diferença que, segundo ele, será coberta com recursos próprios.

O MPF determinou que o Banco da Amazônia enviasse os documentos desse financiamento. O banco negou, alegando sigilo comercial. Até o momento, as usinas hidrelétricas do rio Madeira estão sendo custeadas basicamente com dinheiro público.

 

 

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